
As Funções Executivas
Chamamos de funções executivas (FEs) o conjunto de habilidades cognitivas essenciais para o planejamento, a organização, a tomada de decisões e a resolução de problemas. Elas são responsáveis por regular e coordenar nossos pensamentos, emoções e comportamentos de acordo com as demandas do ambiente.
A neurocientista canadense Adele Diamond (2014) destaca a importância das funções executivas no desenvolvimento infantil, pois elas permitem que as crianças controlem seu comportamento de forma consciente e intencional. Segundo Diamond, é possível considerar três dimensões básicas das funções executivas (FEs):

Controle inibitório refere-se à capacidade de regular comportamentos, pensamentos e emoções, resistindo a estímulos distratores internos ou externos. Está diretamente relacionado à sustentação da atenção, ao foco e ao autocontrole, permitindo que a criança direcione seus recursos cognitivos para a realização de uma tarefa de forma adequada e intencional.
Um exemplo musical: respeitar os momentos de som e silêncio enquanto toca um instrumento musical.

Memória de trabalho (ou memória operacional) é a capacidade de manter e manipular informações temporárias na mente por um curto período de tempo, a fim de executar determinadas tarefas. Essa habilidade permite lembrar e integrar instruções simultaneamente e organizar sequências de ações necessárias para a realização de uma atividade.
Envolve habilidades como reter e relacionar informações, realizar cálculos mentais, estabelecer relações de causa e efeito, sustentar o raciocínio e articular o pensamento de forma criativa.
Um exemplo musical é cantar uma melodia enquanto se executa uma sequência de gestos ou movimentos correspondentes às diferentes partes da música.

Flexibilidade cognitiva é a habilidade de alternar entre tarefas, perspectivas ou estratégias, adaptando-se a situações novas ou inesperadas. Envolve considerar múltiplas possibilidades, rever planos e propor soluções criativas diante de desafios.
Um exemplo musical é explorar as sonoridades de diferentes objetos e materiais, ressignificando-os como instrumentos musicais, pois exige da criança mudança de perspectiva, criatividade e capacidade de adaptação.
No campo das funções executivas, a atenção ocupa papel central. O controle inibitório está diretamente relacionado à capacidade de sustentar a atenção e resistir a distrações, direcionando os recursos mentais para um objetivo específico (DIAMOND, 2014). Nessa mesma direção, Stanislas Dehaene destaca a atenção como o primeiro pilar da aprendizagem, afirmando que os circuitos neurais acionados por ela amplificam e propagam os sinais considerados relevantes, potencializando seu impacto sobre a memória.
Assim, tanto na perspectiva das funções executivas quanto na abordagem neurocientífica da aprendizagem, a atenção pode ser compreendida como o mecanismo que seleciona informações relevantes e favorece sua consolidação na memória, possibilitando a construção do conhecimento. Por esse motivo, podemos compreender a ATENÇÃO como uma porta de entrada para a aprendizagem.
Lembre-se ...
Ambas as dimensões são diretamente inter-relacionadas e interdependentes, atuando de forma integrada e dando origem a outras habilidades que sustentam o funcionamento executivo. São reguladas principalmente pelo córtex pré-frontal, mas envolvem a ativação de diversas regiões cerebrais, já que cada Função Executiva mobiliza subprocessos distintos e recruta diferentes circuitos neurais. O bom desenvolvimento das funções executivas está associado aos processos de aprendizagem, às habilidades sociais e ao sucesso acadêmico.

DEHAENE, Stanislas. É assim que aprendemos: por que o cérebro aprende melhor do que qualquer máquina... por enquanto. Tradução de André Telles. Rio de Janeiro: Zahar, 2022.
DIAMOND, Adele. Executive functions. Annual Review of Psychology, Palo Alto, v. 65, p. 135–168, 2014.