
Diálogo entre as funções executivas e o fazer musical
No contexto da educação musical na infância, o processo de desenvolvimento das habilidades das funções executivas torna-se particularmente evidente:

Controle inibitório: Ao aprender uma canção que envolve alternância de movimentos corporais, variações de intensidade ou mudanças de andamento, a criança precisa sustentar a atenção para acompanhar os elementos musicais e inibir impulsos (se ajustar ao ritmo do grupo, aguardar a vez de cantar, respeitar os momentos das pausas musicais) que possam desviá-la da proposta.

Memória de trabalho: é mobilizada simultaneamente para recordar e executar o canto (texto e melodia), sequências de gestos, estruturas rítmicas, e também no manuseio de instrumentos musicais.

Flexibilidade cognitiva: acionada ao adaptar e criar movimentos corporais de acordo com as propostas rítmicas ou melódicas, propor novas formas de explorar as sonoridades de diferentes objetos e materiais, ressignificando-os como instrumentos musicais, exigindo mudança de perspectiva, criatividade e capacidade de adaptação.
Por este ponto de vista, ao articular escuta, movimento, memória e criação, a educação musical configura-se como um campo privilegiado para o desenvolvimento das funções executivas na infância. Ao propor experiências que exigem foco atencional, autorregulação e adaptação a diferentes estímulos, o fazer musical contribui para a consolidação de bases cognitivas essenciais à aprendizagem, ampliando as possibilidades de participação ativa, socialização e construção significativa do conhecimento.